Desde o dia em que ingressam na faculdade, profissionais de saúde deparam-se constantemente com o símbolo da medicina. De tão onipresente desde o início da carreira, é bastante comum que a maioria das pessoas nunca tenha se dado ao trabalho de refletir sobre suas origens e significados.

E você, já parou para pensar por que uma cobra é o símbolo da medicina? Ou desde quando esse é o emblema da carreira médica? Descubra essas e outras curiosidades sobre o tema no artigo de hoje!

Afinal, qual é o significado do símbolo da medicina?

O símbolo da medicina é representado pelo bastão de Esculápio ou Asclépio, que é considerado o deus da medicina e da cura na mitologia grega e está representado com uma única serpente enrolada em um bastão de madeira por duas voltas e meia.

A mitologia ligada ao bastão de Esculápio é bastante extensa. Uma das histórias tem origem no fato de que, na Grécia antiga, as serpentes eram consideradas benéficas para os pacientes e, por isso, tinham livre circulação pelos templos de Esculápio. Quando Roma foi atacada por uma peste, por volta de 293 a.C., os romanos foram buscar uma dessas cobras.

Uma vez que a epidemia regrediu, a população atribuiu ao animal o poder desse deus. Por isso, a serpente também é vista como uma representação do bem e do mal, do elo entre o mundo conhecido, ou seja, a superfície da Terra, e o desconhecido.

Outra lenda, relatada por Hesíodo, conta que Asclépio era filho de Apolo e Côronis. Diana, irmã e uma das mulheres de Apolo, em meio a uma crise de ciúmes, matou Côronis, então grávida de Apolo.

Já na pira funerária, Apolo arrancou do ventre de Diana o filho Esculápio e entregou a criança ao centauro Quíron, para que esse lhe ensinasse a arte de curar. Inteligente e habilidoso, o menino aprendeu rápido, e em pouco tempo superou o mestre.

Em uma de suas visitas a pacientes no templo, uma serpente enrolou-se rapidamente no seu cajado e, mesmo com todos os seus esforços para retirá-la, ela voltava ao mesmo local. Assim, Esculápio tornou-se deus da medicina e seu cajado com a serpente, um símbolo da atividade médica.

Dedicado, tornou-se tão bom no ofício de curar que ressuscitava até mesmo os mortos. Plutão, com medo de que o dom de Esculápio pudesse diminuir o número de almas que chegavam ao seu reino, foi queixar-se a Júpiter, que como forma de castigar Esculápio, eliminou-o com um raio.

Uma outra versão dá conta de que Esculápio foi morto pelas flechas do próprio pai, Apolo, razão pela qual elas são símbolo de morte súbita na medicina grega.

Além disso, devido a sua capacidade de trocar de pele, a cobra presente no símbolo da medicina representa a ideia de renascimento e cicatrização.

Por sua vez, o bastão traz consigo a ideia de autoridade e representa o poder divino a quem, apesar dos esforços e das habilidades dos profissionais da área médica, cabe a decisão final sobre a vida ou morte dos pacientes.

Também é possível utilizar o caduceu como símbolo da medicina?

Não. O bastão de Asclépio é muitas vezes confundido com o caduceu de Hermes ou caduceu de Mercúrio, representado por um bastão com duas serpentes enroscadas e asas no alto, mas esse não é um símbolo da medicina.

Na verdade, a confusão entre o bastão de Esculápio e o caduceu de Mercúrio é antiga, e remonta o Renascimento. O caduceu é mais antigo que o símbolo da medicina e sempre foi identificado como um símbolo do comércio.

A confusão entre símbolos de profissões tão diferentes acontece principalmente porque a serpente, desde o tempo dos babilônios, sempre esteve relacionada à cura, e consequentemente, à atividade médica.

Além disso, o caduceu de Mercúrio é, na verdade, um presente de Apolo, que é considerado o deus da medicina e da arte de curar pelos gregos. Além disso, o fato de que o símbolo é utilizado para procura de feridos e mortos nos campos de batalha também ajuda a ampliar a confusão com o símbolo da atividade médica.

Por todos esses motivos, a confusão entre o bastão de Asclépio e o símbolo do grego Hermes foi inevitável e permanece até hoje, inclusive em fontes consideradas confiáveis.

O próprio dicionário Aurélio registra o caduceu de Hermes, símbolo do comércio, como símbolo da medicina, incorreção que se estende a uma série de artigos especializados. O equívoco, no entanto, está desfeito, detalhadamente, no site oficial do Conselho Federal de Medicina.

Desde quando o bastão de Asclépio é utilizado como símbolo da medicina?

O desenvolvimento da simbologia relacionada ao bastão de Asclépio tem diversas origens, e certamente todas elas contribuíram de alguma maneira para a composição do significado.

A ofiolatria, ou culto às serpentes, era comum nas civilizações antigas. Em esculturas descobertas nas escavações arqueológicas da civilização greco-romana, Asclépio já pode ser observado segurando um bastão no qual está enrolada uma serpente.

Desde então, o símbolo vem sendo utilizado frequentemente em diversas representações ligadas à área médica. Desde 1919, a Associação Médica Americana utiliza o bastão de Esculápio como símbolo oficial. Fundada em 1948, a Organização Mundial de Saúde  também usa o símbolo de Asclépio em sua bandeira.

Criada na capital de Cuba em 1956, a Associação Médica Mundial também adotou um modelo padrão do símbolo de Asclépio para a utilização dos médicos civis.

Além disso, as organizações médicas de caráter profissional e de âmbito nacional do Brasil, Canadá, China, África do Sul, Austrália, Costa Rica, Inglaterra, Itália, Nova Zelândia, França, Alemanha, Dinamarca, Portugal, Suécia e Taiwan também utilizam o bastão de Esculápio como símbolo da medicina.

Como você pode ver, por sua origem remota, é bastante simples de entender porque muitos profissionais da área médica não conhecem o significado do símbolo da medicina. No entanto, é importante estar atento para a utilização do emblema correto, uma vez que o caduceu de Mercúrio representa o comércio, profissão com a qual a atividade médica não deve ser confundida.

E então, gostou de entender qual é o significado do símbolo da medicina? Então não se esqueça de compartilhar esse artigo em suas redes sociais para que mais pessoas conheçam a história!